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Crítica | Meu Ano em Oxford


Meu Ano em Oxford tinha tudo para ser um marco entre os romances contemporâneos: locação deslumbrante, química entre os protagonistas e um material base promissor vindo do livro de Julia Whelan. Mas o que começa como uma doce promessa de reencontro com o amor nos corredores de uma das universidades mais icônicas do mundo, acaba tropeçando nos próprios clichês e num roteiro que hesita entre o dramalhão e a comédia romântica água com açúcar.

A protagonista Anna De La Vega (vivida por Sofia Carson) é o retrato da estudante americana idealista e determinada, que finalmente realiza seu sonho de estudar em Oxford. No entanto, bastam algumas cenas para o foco acadêmico ser engolido por um romance relâmpago com Jamie Davenport (Corey Mylchreest), o professor charmoso e misterioso que parece ter saído de um fanfic colegial com toque britânico.

A construção do relacionamento entre eles é apressada, quase instantânea, o que compromete a conexão emocional com o espectador. O filme repete fórmulas já vistas em títulos como Como Eu Era Antes de Você e outros tantos dramas românticos que apostam na ideia de que o amor surge do acaso e termina em lágrimas, lições de vida e corações partidos ou curados.

Apesar do roteiro fraco, que falha especialmente nos diálogos (mesmo quando tenta soar profundo com referências literárias), há de se reconhecer méritos: a fotografia é deslumbrante, os cenários fazem jus à elegância de Oxford, e a atuação dos protagonistas segura o tranco mesmo quando o texto não ajuda. A química entre Carson e Mylchreest é, sem dúvida, um dos pontos altos e talvez o que mais prende quem decide dar uma chance ao filme.

A narrativa até ganha um fôlego inesperado com uma revelação bombástica que surge já no segundo ato, quando o segredo do personagem vem à tona. É o tipo de virada que, mesmo previsível, instiga o público a continuar assistindo para ver como a trama vai se resolver. E, ainda que carregado de obviedades, o desfecho entrega uma mensagem bonita sobre escolhas, amadurecimento e vulnerabilidade.

No fim das contas, Meu Ano em Oxford é aquele filme que vai agradar quem busca um romance leve, mesmo que imperfeito. Não reinventa a roda, não emociona como poderia, mas também não afunda completamente. Ele fica ali, na zona morna entre o "foi ok" e o "podia mais", com potencial desperdiçado por um roteiro raso demais para o cenário que tinha em mãos.

Nota: 6/10

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