SINOPSE CURTA Nosferatu chega a uma nova cidade fugindo de Van Helsing. Ele traz consigo não só sua maldição, mas fantasmas do passado, que o atormentam. Nessa fuga, ele mergulha numa dança macabra à procura de uma atriz, com isso enfrenta o horror da eternidade e a dor de uma existência sem fim.
SINOPSE LONGA Nosferatu chega a uma nova cidade carregando mais do que sua maldição — ele carrega os ecos de um passado que se recusa a morrer. Perseguido incansavelmente por Van Helsing, o vampiro mergulha em um cenário sombrio e decadente, onde as fronteiras entre realidade, delírio e representação se embaralham. A cidade, com seus teatros em ruínas e ruas envoltas em névoa, se torna palco de uma dança fúnebre e simbólica, em que cada passo aproxima Nosferatu de seu próprio abismo interior.
Assombrado por lembranças, visões e figuras fantasmagóricas, ele busca obsessivamente por uma atriz — uma mulher que talvez represente a redenção, o amor perdido ou apenas mais uma ilusão. Enquanto tenta se reconectar com algo que o torne humano novamente, é confrontado pelo peso da eternidade, pela dor de uma existência imortal marcada pela solidão, pelo vazio e pela repetição dos mesmos gestos, das mesmas tragédias.
Nesta jornada hipnótica e metafórica, Nosferatu não enfrenta apenas Van Helsing, mas também a si mesmo — sua memória, seus erros e o terror de nunca morrer. Uma fábula sombria sobre o tempo, o desejo e a decadência da alma.
O DIRETOR Cristiano Burlan nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mas se mudou para São Paulo ainda criança. Depois de uma temporada entre Marselha, na França, e Barcelona, na Espanha, onde dirigiu o Grupo de Cinema Experimental Super-8, voltou ao Brasil e passou a se dedicar ao teatro e ao cinema, dirigindo ficções e documentários. Seu primeiro longa foi “Corações Desertos” (2006). Entre suas obras mais importantes está a Trilogia do Luto — “Construção” (2007), “Mataram Meu Irmão” (2013) e “Elegia de um Crime” (2018), documentários em que lida com as mortes de seu pai, de seu irmão e de sua mãe. “Mataram Meu Irmão” é um de seus filmes mais premiados: ganhou o É Tudo Verdade, o prêmio de melhor documentário no Festival Sesc de Melhores Filmes e o Prêmio do Governador do Estado de São Paulo. Dirigiu, entre outros, “Hamlet” (2025), “Fome” (2015) e “Antes do Fim” (2017) e também foi professor e coordenador de cursos de cinema. Em 2022, “A Mãe” lhe rendeu o prêmio de melhor direção no Festival de Gramado. Em NOSFERATU, Burlan retoma sua pesquisa estética unindo o imaginário do horror a uma reflexão existencial e poética. Com seu sócio Henrique Zanoni, Burlan fundou a Bela Filmes, que produz seus trabalhos e filmes de outros cineastas, e a companhia teatral Cia dos Infames, cuja proposta é trabalhar com textos ligados à filosofia e poesia nas fronteiras do teatro e cinema.
A VISÃO DE CRISTIANO BURLAN NOSFERATU nasce do desejo de revisitar um ícone do cinema expressionista alemão e transportá-lo para um universo poético e decadente, onde o horror se funde à solidão, ao delírio e à memória. Não me interessava fazer uma releitura fiel ou um exercício de estilo: o que me moveu foi a possibilidade de usar essa figura mítica para refletir sobre os fantasmas que assombram o tempo presente, sejam eles pessoais, históricos ou simbólicos.
Nosferatu, neste filme, é um ser exaurido, errante, preso em um ciclo de repetição e dor. Sua busca por uma atriz, figura ora mítica, ora real, é também uma busca por sentido, por afeto, por humanidade. Essa jornada me permitiu explorar os limites entre a representação e a realidade, entre a cena e o abismo. É um filme sobre o tempo que não passa, sobre a impossibilidade de morrer e, talvez, de viver plenamente.
O teatro em ruínas, a névoa, os gestos fantasmáticos, tudo isso compõe uma atmosfera onde o terror é existencial, um terror da permanência, da repetição, da ausência de fim. Trabalhei com uma equipe de criadores que compartilham esse olhar: artistas que vieram do teatro, do cinema marginal, das bordas, das ruínas, todos comprometidos com uma ideia de cinema como experiência sensorial e filosófica.
Filmar NOSFERATU foi um mergulho na noite, mas também um gesto de amor ao cinema, um cinema feito com o corpo, com a escuta, com a lembrança dos mortos. E, sobretudo, um gesto de resistência: contra o esquecimento, contra a pressa, contra a homogeneização estética que marca parte do cinema contemporâneo.
ELENCO Rodrigo Sanches … Nosferatu Helena Ignez Jean-Claude Bernardet Paula Possani Ana Carolina Marinho Henrique Zanoni Hélio Cícero Biagio Pecorelli Rebecca Leão
FICHA TÉCNICA Direção: Cristiano Burlan Produção: Cristiano Burlan, Natália Reis, Rodrigo Sanches Roteiro: Cristiano Burlan, Emily Hozokawa, Fernanda Farias, Rodrigo Sanches Produção Executiva: Ana Carolina Marinho Direção de Fotografia: Cauê Angeli Montagem: Cristiano Burlan, Lincoln Péricles, Renato Maia Finalização de Cor / VFX: Lucas Negrão Desenho, Edição e Mixagem de Som: Ricardo Zollner Direção de Arte e Cenografia: Mariko Ogawa, Seiji Ogawa Figurino: Mariana Cypriano Maquiagem e Caracterização: Ana Paula Damaceno Som Direto: Renato Maia Trilha Sonora Original: Gabriel D’Incao, Pedro D’Incao Canção Original: Edson Van Gogh, Jonnata Doll Ano e país de produção: Brasil, 2025 Duração: 87 min
SOBRE A BELA FILMES
Fundada em 2005 por Cristiano Burlan e Henrique Zanoni, a Bela Filmes desenvolve projetos artísticos independentes. Ao longo de sua trajetória, participou de festivais nacionais e internacionais, sempre buscando aproximar o público de narrativas ousadas, inventivas e socialmente relevantes. Entre seus trabalhos, estão longas e documentários que dialogam com temas contemporâneos e exploram novas linguagens cinematográficas. Projetos como: “Mataram Meu Irmão” (2013), “Fome” (2015), “Hamlet” (2015), “Antes do Fim” (2017), “Elegia de um Crime” (2018), “Quem Tem Medo” (2022) e “A Mãe” (2022). NOSFERATU é sua mais recente produção. |
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