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Crítica | Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025)

 MCU aposta no seguro e entrega pouco para a primeira família da Marvel.

Reconstruir personagens icônicos que existem desde 1961, especialmente em um cenário dominado por blockbusters, não é tarefa fácil. No caso do Quarteto Fantástico, já assistimos às suas origens diversas vezes: em animações e até mesmo na primeira adaptação live-action da equipe em 1994. Recontar essa história seria, no mínimo, um desperdício de tempo.

Por isso, o novo longa acerta ao evitar mais uma narrativa de origem. A introdução é breve: em poucos minutos, ficamos sabendo que o grupo já atua há quatro anos, é bem estabelecido em seu universo e amplamente reconhecido. Mas... não funciona tanto na prática.

Apesar de a ideia parecer promissora, o que vemos na tela é uma família sem profundidade emocional. Os laços entre os membros do quarteto são apenas sugeridos. Você sabe que eles se conhecem, se respeitam e funcionam bem juntos. Mas falta conexão e alma.

Reed Richards, o homem mais inteligente do mundo, por exemplo, é apresentado com dúvidas humanas plausíveis, o que poderia ser interessante, mas sem tempo de tela suficiente para se aprofundar. O mesmo vale para os demais: Sue e Johnny não têm uma relação que convença como irmãos, a amizade entre Reed e Ben é protocolar e até o robô H.E.R.B.I.E. não escapa da falta de química com os protagonistas.

Ben chega a demonstrar incômodo com sua aparência, mas o tema é deixado de lado tão rapidamente quanto surge. A relação com a personagem de Natasha Lyonne, por exemplo, é um mistério que nem o roteiro parece disposto a desvendar.

No fim, o espectador se torna quase um observador casual da rotina desses heróis, como quem acompanha o influenciador do bairro no Instagram, e não como quem compartilha intimidade com a “primeira família da Marvel”. Um bom exemplo do que faltou aqui é a série Modern Family, disponível no Disney+. Depois de alguns episódios, você se sente parte daquele núcleo. Ri, sofre, vibra. Com o Quarteto Fantástico, isso não acontece.

Ralph Ineson como Galactus é um dos grandes acertos. Finalmente, o vilão não é representado como uma poeira cósmica, mas como uma entidade ameaçadora de verdade. O problema aqui é a resolução do conflito que se torna tão simplista que soa desproporcional à construção do personagem. Toda a tensão criada é anulada por uma solução que surge do nada e acaba com tudo.

Outro problema recorrente: o CGI. Não é horrível, mas também não impressiona, o que já diz bastante quando falamos de um filme da Marvel.

Quanto à ação, se você espera ver Johnny Storm em chamas, Sue usando seus campos de força ao limite, Ben Grimm quebrando tudo ou Reed se esticando até a exaustão… pode tirar o cavalinho da tempestade cósmica, pois, aqui, os poderes são quase secundários e o foco na “família” não é suficiente para preencher esse vazio.

O bebê Franklin, filho de Reed e Sue, até tem destaque, mas é uma incógnita para quem não acompanha os quadrinhos. E mesmo que você conheça o potencial absurdo do personagem, aqui ele é reduzido a um efeito digital bizarro que mais assusta do que encanta. Seu arco até poderia ser o centro emocional da trama, mas o roteiro falha em nos fazer importar. Ele é uma peça de tabuleiro, não um personagem vivo. E a grande ironia é que sua importância será sentida, talvez, em filmes futuros. Aqui, só ocupa espaço.

Outro ponto que gerou incômodo é o fato de Pedro Pascal e Vanessa Kirby funcionarem melhor em entrevistas do que em cena. Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach são competentes, mas pouco têm a oferecer com o que o roteiro entrega. Não é culpa deles: o texto falha em dar profundidade às relações de cada um deles.

O visual do filme é bonito, e a homenagem a Jack Kirby é um gesto doce. Mas não salva o vazio narrativo que domina a experiência.

Aqui temos mais um filme que aposta grande no seguro. E por falar no seguro, a primeira cena pós-crédito introduz Vingadores: Doomsday e, junto com ele, ninguém menos que Doutor Destino, que será interpretado por Robert Downey Jr. A cena, dirigida pelos Irmãos Russo, até tem um certo potencial, mas não impacta como poderia. Depois de tantas promessas não cumpridas nas últimas fases do MCU, o público já assiste com uma dose de ceticismo no coração. A cena não é ruim, mas também não emociona como já aconteceu no passado. Já a segunda cena é basicamente uma homenagem animada ao Quarteto, no estilo retrô da série de 1967. Fofa? Talvez. Relevante? Nem um pouco.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos chega ao MCU de forma extremamente contida. A falta de ousadia é gritante. O filme é correto, visualmente bonito, com um elenco talentoso. Mas não emociona, não empolga e não deixa saudade.

É como fazer um risoto de camarão perfeito e servir todo dia, sem nunca ousar trocar o cardápio. Uma hora, cansa. E o público, mesmo que ainda goste de camarão, começa a pedir o delivery da concorrência.

O Quarteto merece mais. O MCU sabe fazer mais. Só precisa lembrar disso.

Nota: 6/10



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