Se a longa e reviravoltosa jornada de “Coyote vs. Acme” até seu lançamento fosse A Felicidade Não Se Compra, a Ketchup Entertainment seria como todos os moradores da cidade reunidos no final (spoiler de 79 anos) para impedir que George Bailey afundasse. A analogia para por aí, embora os cinéfilos possam facilmente adivinhar quem seria o Sr. Potter nesse caso.
O fato é: os moradores venceram. E “Coyote vs. Acme” finalmente vai chegar aos cinemas com estreia marcada para 28 de agosto de 2026.
Resumindo: o filme de US$ 70 milhões, que mistura live-action e animação, foi um dos projetos (alô, “Batgirl”!) engavetados em 2023 pela Warner Bros. como forma de abatimento fiscal — um prejuízo de cerca de US$ 30 milhões — mesmo após testes muito positivos com o público. Após a revolta dos fãs, o longa foi colocado à venda para outros estúdios… mas ninguém aceitou o preço pedido. A situação ficou tão dramática que o elenco e a equipe chegaram a realizar um “funeral” simbólico para o filme. Era o fim. George Bailey estava prestes a pular da ponte.
Eis que surge o anjo Clarence — ou melhor, “The Day the Earth Blew Up: A Looney Tunes Movie”, distribuído pela Ketchup Entertainment, originalmente previsto apenas para o streaming da HBO Max (ou Max, na época). Foi a partir daí que a distribuidora fez um acordo também para “Coyote vs. Acme”. Will Forte, protagonista do filme, celebrou a novidade ainda este ano, dizendo ao THR:
“Nunca pensei que fosse acontecer. Foi totalmente inesperado e estou emocionado! Obrigado, Ketchup Entertainment. Estou muito animado para que as pessoas vejam esse filme. Vou divulgá-lo até não poder mais. É só dizer o que querem que eu faça — escalar o Everest? Tô dentro!”
Dirigido por Dave Green, o filme também conta com John Cena, Lana Condor, Tone Bell e Martha Kelly no elenco. A trama acompanha o Coiote finalmente processando a Acme Corporation por todas as vezes que seus produtos falharam enquanto ele tentava capturar o Papa-Léguas. O roteiro é da indicada ao Oscar Samy Burch, com produção de Chris deFaria e James Gunn.
Na San Diego Comic-Con, o painel sobre o filme era um dos mais esperados — e a Ketchup entregou o que prometeu.
“Esse filme não era pra sair,” brincou o moderador Paul Scheer (via Deadline). “Ouvi dizer que a Warner Bros. não queria lançar — eu nem sei quem é Warner Bros.! Na verdade, isso foi uma decisão da Acme, por razões legais, claro.”
O painel incluiu até um “advogado da Acme” tentando impedir o lançamento do longa:
“Esses são documentos de ‘cessar e desistir’ da Acme Corporation. Vocês não têm permissão para compartilhar informações ou imagens deste filme anti-Acme. Por favor, saiam do palco.”
E, ao se dirigir a um membro da plateia vestido de personagem: “Como traje protegido por direitos autorais, senhor, favor retirar o figurino.”
O próprio Coiote participou do painel, respondendo perguntas com placas escritas “Sim”, “Não” e “Número limitado de placas”.
Eric Bauza, dublador do Pernalonga, também apareceu (em personagem) e brincou que o filme foi feito “sem uso de I.A. e sem jogadores de basquete”.
O público pôde assistir a uma prévia do filme, com uma cena mostrando todos os produtos da Acme que falharam com o Coiote — ao som de “Hurt”, interpretada por Johnny Cash. Em seguida, ele vê um comercial do advogado (Will Forte), que pergunta:
“Você já puxou o cordão do paraquedas e só caíram talheres?”
Outra cena no tribunal mostra um par de patins defeituoso — e John Cena.
Que outros projetos da Warner Bros. também engavetados, como a animação “Scoob! Holiday Haunt”, tenham um destino parecido. Por enquanto, eles seguem aguardando resgate na Ilha dos Brinquedos Esquecidos… mas isso é uma analogia para outro dia.
Até lá, marque no calendário: “Coyote vs. Acme” estreia nos cinemas em 28 de agosto de 2026.
Ah, e aqui está o primeiro pôster oficial do filme:
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