Novo longa de Wes Anderson traz um caos mais refinado (e hilário).
Prepare-se para um mergulho no universo peculiar de Wes Anderson: O Esquema Fenício é o tipo de filme que só poderia nascer da mente dele e, claro, com uma ajudinha do colaborador de longa data Roman Coppola. Juntos, eles entregam uma comédia de espionagem com cara de conto de fadas moderno, embalado por uma estética milimetricamente simétrica e uma história que beira o nonsense… no melhor dos sentidos.
Zsa-Zsa Korda (Benicio del Toro), um dos homens mais ricos da Europa, sobreviveu a seis acidentes de avião, tem dez filhos e decide que sua única filha mulher, que, por acaso, virou freira, será a herdeira de todo seu império. Mas antes, ela precisa embarcar com ele (e com o tutor atrapalhado vivido por Michael Cera) em uma viagem internacional para garantir o sucesso do “Korda Land and Sea Phoenician Infrastructure Scheme”, um projeto comercial ambicioso que, sinceramente, soa como uma mistura de parque temático, lavagem de dinheiro e delírio de megalomania. Se parece bizarro, é porque é mesmo. Mas dentro do universo de Wes Anderson, tudo faz sentido e essa é a mágica.
Apesar da trama caótica, o coração do filme está na relação entre pai e filha. A dinâmica entre Zsa-Zsa e Liesl é desenvolvida com afeto, humor e aquele toque excêntrico andersoniano. Não por acaso: a inspiração veio do próprio diretor, que quis explorar a paternidade após o nascimento de sua filha, algo que, segundo ele, sua esposa já tinha previsto que viraria filme. E virou. O resultado é um dos relacionamentos mais sinceros e bem construídos da filmografia recente de Wes.
Com um time de peso, o elenco é um show à parte: Benicio del Toro está afiado no papel do magnata desvairado; Mia Threapleton (sim, filha da Kate Winslet) é uma grata surpresa como a freira Liesl; e Michael Cera brilha com seu humor passivo-agressivo habitual. E como resistir à bizarrice cativante do tio interpretado por Benedict Cumberbatch? Estranho? Muito. Bem feito? Com certeza. Uma das joias mais esquisitas do filme.
Entre os rostos conhecidos estão quatro vencedores do Oscar (Riz Ahmed, Benicio Del Toro, Tom Hanks e F. Murray Abraham) e cinco indicados (Bryan Cranston, Benedict Cumberbatch, Willem Dafoe, Scarlett Johansson e Bill Murray). É talento que não cabe no enquadramento.
Pela primeira vez em um longa live-action, Wes Anderson não trabalhou com seu fotógrafo de sempre, Robert D. Yeoman. Desta vez, Yeoman escolheu filmar com o diretor Kwame Kwei-Armah, e O Esquema Fenício ganhou um novo olhar visual, ainda dentro da estética do diretor, mas com nuances distintas que os fãs mais atentos vão perceber.
O Esquema Fenício é peculiar, hilário e irresistivelmente estranho, ou seja, um Wes Anderson raiz. Com uma narrativa que mistura espionagem, afeto familiar e maluquices visuais, o filme se consolida como um dos mais memoráveis da carreira do diretor. E, ouso dizer, um dos meus novos favoritos.
Se você curte histórias que brincam com o absurdo sem perder a ternura, prepare a pipoca e embarque nesse delírio arquitetado por um dos cineastas mais autorais do nosso tempo.
Nota: 8/10
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